Além da corrida presidencial, a disputa pelo Congresso americano é também de grande importante para investidores, uma vez que a falta de controle nas duas Casas Legislativas, torna mais difícil para o Executivo conseguir aprovar políticas arrojadas.

Mesmo com a clara vantagem democrata na disputa pela Câmara dos Representantes, cenário semelhante não se repete no Senado, que passa a atrair as atenções neste período eleitoral.

É considerado praticamente certo que democratas devem reter a maioria na Câmara, porém o futuro da bancada republicana no Senado é mais incerto. Apesar de o partido ser o favorito na disputa pela Câmara Alta até o início do ano, a chegada do coronavírus aos EUA, seus efeitos na economia e a queda de Donald Trump nas pesquisas, estimularam uma mudança neste panorama.

Hoje, as pesquisas mostram disputa acirrada entre senadores republicanos e democratas, e o mercado de apostas aponta uma vantagem democrata.

Nessa linha, é importante considerar que a correlação entre os votos para presidente e para senador tem aumentado ao longo das últimas décadas e, portanto, quanto maior for a vantagem de Biden, em tese, maior a chance de os democratas conseguirem mais assentos no Senado. Por conseguinte, não é esperado que os democratas obtenham a maioria, caso Trump consiga retomar espaço na disputa e ultrapasse o adversário – um cenário que parece pouco provável dado a ampla vantagem do democrata a duas semanas da eleição.

Atualmente, os democratas têm 47 assentos e os republicanos 53. No entanto, a expectativa é de que o senador democrata de Alabama, Doug Jones, perca a disputa pela reeleição.

Sendo assim, o partido de Biden teria que vencer quatro ou cinco vagas para obter a maioria, a depender do resultado da disputa presidencial, considerando que o vice-presidente dos EUA tem voto de minerva na Casa e define eventuais empates.

Vale lembrar que 35 das 100 vagas da Câmara Alta do Congresso estão em disputa, devido ao término de mandatos de 6 anos o que leva à renovação de um terço das vagas a cada dois anos. Em 2020, também serão realizadas duas eleições especiais – em Arizona e na Georgia – por motivos de falecimento de um senador e aposentadoria de outro.

Das 35 vagas, 12 são democratas e 23 republicanas. As pesquisas mostram disputas especialmente acirradas nos estados de Arizona, Carolina do Norte, Colorado, Georgia, Iowa, Maine, e Montana, todos hoje representados por republicanos.

Entre esses entes da federação, Arizona e Colorado são considerados os mais suscetíveis a mudar de partido, avaliação que vale também para Maine e Carolina do Norte com chances altas de trocar o perfil partidário das vagas. No entanto, os democratas não têm garantia nesses estados, fundamentalmente porque eles trazem longa tradição republicana.

Mesmo na hipótese de uma vitória democrata na Câmara Alta, um eventual presidente democrata deve enfrentar dificuldades para aprovar propostas mais polêmicas, diante do fato de os novos senadores, mesmo sendo democratas, figurarem como representantes de estados onde eleitores conservadores têm maior peso. Esse cenário torna mais provável o voto contrário a propostas do em certos temas, como regulações ambientais e revisão de impostos.

Para alcançar mais tranquilidade na aprovação de projetos, os democratas precisariam de uma maioria de 53 senadores ou mais, número que se aproxima da atual bancada republicana. Um cenário quase que de hegemonia democrata é pouco provável no ambiente altamente polarizado.

Do ponto de vista do ambiente econômico e das reações do mercado, mesmo considerados os dois cenários mais prováveis – vitória de Biden com Congresso dividido ou com maioria técnica no Senado – os impactos das eventuais mudanças na orientação política pela vitória democrata seriam mitigados pelo perfil do Legislativo.

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