Depois de um período de incertezas por conta dos sérios impactos econômicos da pandemia, volto a analisar esses efeitos nas empresas que costumam estar presentes neste espaço.

Destaco a Indústrias Romi, que completou 90 anos em junho e, ao longo das décadas, já atravessou e superou muitas crises.

Para aqueles que acompanham as publicações deste blog, a Romi é uma empresa que analisamos desde 2016.

E seguimos, pari passu, sua melhora operacional desde a “depressão” de 2015, que atingiu profundamente seus negócios e toda a cadeia ligada aos investimentos do país.

Para relembrar, em 2015 e 2016, a empresa fez um downsizing profundo no seu corpo de colaboradores, além de diversas melhorias nas linhas de produção e processos internos.

Ao mesmo tempo, manteve os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, o que permitiu que ela saísse da crise com uma linha de produtos renovada, garantindo, assim, uma retomada consistente da sua rentabilidade.

Falando da atual crise, extremamente severa pelo ineditismo da implantação de um isolamento geral, impactando tanto a oferta quanto a demanda, percebemos uma postura cautelosa da empresa, mas muito ciente das medidas necessárias a serem tomadas.

A vantagem de ser uma empresa internacionalizada permitiu com que a Romi pudesse tomar medidas antecipadas. Por ter unidades na Europa e Ásia, percebeu logo a complexidade da pandemia, e rapidamente agiu para ajustar sua produção, reduzindo os estoques e gerando caixa.

Para quem conhece a empresa, normalmente no primeiro semestre ela consome caixa, aumentando seus estoques para a produção de máquinas que são vendidas nas feiras que ocorrem no segundo trimestre.

Mostrando ser uma empresa antenada ao seu tempo, a Romi apresentou neste período de exceção uma excelente solução para aumentar sua produção: um serviço de locação de máquinas, que vem repercutindo muito bem junto aos seus clientes.

Com a entrega da primeira leva de máquinas já programada, o serviço é mais uma opção aos clientes, que até então tinham duas opções: comprar ou não comprar uma máquina.

A Romi, por ser a fabricante da máquina, conta também com mais uma vantagem: participa de todo o processo de produção e negociação, sem dividir margens com mais ninguém.

Para se ter uma ideia das vantagens do serviço, além de ter um controle do uso da máquina por meio remoto, após um ou dois anos de locação a empresa pode vendê-la como seminova, o que gera benefícios tributários importantes.

Se a locação de máquinas é boa para a Romi, é extraordinária para a indústria de um modo geral.

Essa nova opção permite que projetos que atendam demandas pontuais das empresas saiam do papel, além de permitir a renovação de seus parques industriais antigos.

Isso aumenta a fidelidade dos clientes, além de ser uma barreira competitiva em relação aos concorrentes estrangeiros.

Em função das taxas de juros baixas, a Romi também tem percebido uma movimentação de seus clientes para a aquisição de equipamentos sem a necessidade de captar financiamentos.

Foi verificado também que muitos empresários estão sacando suas aplicações em renda fixa e investindo na produtividade das suas empresas, projetos esses que não faziam sentido com os juros elevados.

Passado, assim, o pior da tempestade, a boa notícia trazida nos resultados do segundo trimestre de 2020 é que, a partir de junho, a produção e o aumento dos pedidos voltaram fortes, e sem cancelamentos relevantes.

Em função das condições macroeconômicas favoráveis ao investimento, como juros historicamente baixos, câmbio competitivo e inflação controlada, encontramos o ambiente perfeito para que projetos industriais saiam do papel, garantindo uma relevância maior das cadeias de produção nacional.

Ressaltamos ainda que, com a competitividade da taxa de câmbio e os desafios geopolíticos que se impõem, há chances de o Brasil se tornar uma alternativa à China no fornecimento de produtos manufaturados, cenário que acaba por beneficiar diretamente a Romi.

Portanto, estamos diante de um momento favorável. Nossa economia finalmente pode crescer por meio de ganhos de produtividade real, sem gerar inflação. É também um bom momento para a Romi.

É importante ressaltar que a empresa, apesar dos ajustes feitos, tem uma capacidade ociosa elevada, situação essa que vemos como uma enorme oportunidade, vez que a empresa poderá absorver esse crescimento do investimento sem necessidade de CAPEX.

Na nossa visão, o valor da ação não reflete o potencial da empresa e, por isso, mantemos a ação no portfólio*.

A ação chegou a ser cotada a R$ 17,43 nos últimos 12 meses. O preço caiu bastante na fase mais aguda da crise (menos de R$ 7 por ação, em março) e se recuperou – hoje, está em torno de R$ 12. Mas acreditamos que há muito valor a ser gerado no longo prazo.

É a primeira vez que nosso país vive uma situação como a atual, na qual investir e empreender rende mais do que aplicações de renda fixa. Acreditamos que a Romi, estando na base de todos os investimentos com seus produtos e serviços, deve se beneficiar como nunca dessa nova condição.

Vamos aguardar os próximos movimentos! Até mais!

*Disclaimer: o fundo Venture Value FIA possui participação de 0,63% das ações da Romi em circulação

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