SÃO PAULO – Quatro grandes instituições iniciaram na última semana a cobertura para a ação de uma novata na Bolsa, cujo IPO (abertura de capital, na sigla em inglês) foi um dos mais esperados de 2021. Trata-se do papel da CSN Mineração (CMIN3), que estreou em 18 de fevereiro.

Desde então, apesar de uma estreia positiva com ganhos de 5,88%, o ativo registra queda de 1,65% em um pouco mais de um mês, indo de R$ 8,50 para R$ 8,36 até o fechamento de sexta-feira (26), também acompanhando a volatilidade recente do minério de ferro por conta das medidas de restrição à poluição na China afetando as siderúrgicas e, por consequência, a cotação da commodity.

Contudo, a visão dos analistas para a ação CMIN3 é bastante positiva, com XP, Bank of America, Morgan Stanley e Credit Suisse tendo recomendação de compra ou equivalente à compra para os ativos, apontando a combinação entre otimismo com o preço da commodity e os projetos de expansão da companhia.

A CSN Mineração é a segunda maior exportadora de minério de ferro do Brasil, possuindo 3 bilhões de toneladas em reservas certificadas de acordo com Joint Ore Reserves Committee. A companhia, controlada pela CSN (CSNA3), congrega duas minas: a Namisa e a Casa de Pedra, produtora de um dos minérios de maior qualidade da região produtora.

Entre os que iniciaram cobertura, o Bank of America tem o preço-alvo mais baixo, de R$ 10, ou potencial de alta de 19,62% em relação ao fechamento de sexta-feira. Na sequência, estão o Credit Suisse, com preço-alvo de R$ 11,50 (upside de 37,6%), enquanto os target respectivos do Morgan Stanley e da XP são de R$ 13,90 (upside de 66%) e R$ 14 (potencial de valorização de 67,5%) para os papéis CMIN3.

A XP (veja o relatório clicando aqui) destaca que a visão para a ação é baseada principalmente em uma perspectiva positiva para os preços das commodities e os volumes da empresa daqui para frente, seguindo seus projetos de expansão. “Esperamos um crescimento expressivo da produção da companhia nos próximos anos”, avaliam os analistas.

Os analistas Yuri Pereira e Thales Carmo apontam que, com o forte crescimento da produção nos próximos anos, a companhia atingirá 60 milhões de toneladas em 2024 e cerca de 90 milhões de toneladas em 2030.

A estimativa dos analistas é de um lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) de R$ 14,9 bilhões em 2021, considerando a média de minério de ferro de US$ 135 a tonelada, o que significa uma queda gradual dos níveis atuais (US$ 160 a tonelada) para US$ 120 a tonelada  em 2021. Com relação aos volumes de minério de ferro, temos 40,2 milhões de toneladas para 2021, incluindo compras de terceiros de 8,7 milhões de toneladas.

De acordo com Pereira e Carmo, uma geração de caixa mais forte pode resultar em dividendos mais elevados, dada a baixa alavancagem. Assim, os analistas da XP estimam um retorno com dividendos de 15,2% em 2021 e veem a ação sendo negociado a 3,1 vezes o valor da empresa sobre o Ebitda esperado para 2021 [EV/EBITDA] abaixo da média dos pares de 4 vezes. Além disso, os analistas acreditam que o minério de ferro de cerca de US$ 70 a tonelada na perpetuidade está embutido no preço atual das ações. Temos US$ 80 a tonelada na perpetuidade.

“Nossa visão sobre os preços do minério de ferro depende de uma demanda saudável de minério de ferro na China, seguindo incentivos do governo, e uma oferta restrita por trás de investimentos mais baixos nos últimos anos”, apontam.

O Credit Suisse, por sua vez, destaca que a tese mais otimista está dividida em alguns pilares principais. O primeiro pilar é que a companhia é um player puro de minério, commodity que é vista com perspectiva otimista pelos analistas do banco. Os analistas veem a CSN Mineração com um FCF Yield médio (geração de caixa em relação ao valor de mercado) de 19% em 2021 e de 5% entre 2022 e 2025, mesmo considerando que a empresa tem um ciclo pesado de investimentos de cerca de R$ 9 bilhões no período.

No segundo ponto, os analistas destacam os melhores preços realizados, afirmando que a adição de capacidade de beneficiamento de pelotas deve proporcionar a empresa sair do teor de minério de 62% atual para algo próximo de 64% em 2024. A empresa deve conseguir prêmio no minério e o breakeven (preço de equilíbrio) deve cair de US$ 49 a tonelada em 2020 para US$ 40 a tonelada em 2025.

Os analistas também avaliam que a CSN Mineração está com caixa e a alavancagem baixa, de 0,2 vez a dívida líquida sobre o Ebitda. A empresa tem um ciclo de capex relevante pela frente, mas está mirando 1 vez a relação entre a dívida líquida e  o Ebitda, patamar que parece bastante confortável.

A companhia também se beneficia do real mais fraco, uma vez que tem 100% da receita e entre 15% e 20% dos custos em dólar. O Credit aponta que a companhia apresenta um hedge interessante para o câmbio: a projeção é de que, a cada 10% de queda do real, há um avanço de 3% no Ebitda.

Por fim, os analistas veem a ação CMIN3 negociada a um valuation atrativo, a 2,8 vezes o EV/Ebitda em 2021 versus 3,5 vezes a 4 vezes de média dos pares australianos. “O papel negocia a um prêmio em relação à ação da Vale, mas acreditamos que seja justificado em função do processo produtivo ter menos riscos que o da Vale”, aponta o Credit.

O BofA também avalia esperar que o preço do minério de ferro se mantenha alto pelo menos até o fim do primeiro semestre, com a combinação de demanda mais forte da China e a produção limitada da Vale, além de ver a CSN Mineração como uma boa pagadora de dividendos em potencial. Os analistas apontam que a recomendação reflete o valor da capacidade de curto prazo e os seus planos de expansão no longo prazo.

Por fim, está o Morgan, que ressalta que a ação emergiu como uma alternativa para investidores que desejam exposição a produtores de minério de ferro não-australianos. Os analistas apontam que os projetos de baixo investimento (US$ 52 a tonelada contra a média de US$ 99 a tonelada dos projetos que a equipe de commodity do banco usa para determinar o preço do minério de ferro no longo prazo) devem melhorar a qualidade da produção, com o teor de ferro subindo e levando a uma média de prêmio nas cotações de cerca de US$ 20 a tonelada nos próximos 10 anos.

CSN também é revisada

Na esteira da CSN Mineração, a sua controladora CSN também teve a recomendação revista pelas casas. A ação CSNA3 foi a que mais subiu entre os papéis que faziam parte do Ibovespa ao final de 2020, fechando com ganhos de 126% no acumulado do ano passado. E as expectativa seguem positivas.

O Credit Suisse elevou o preço-alvo da CSN de R$ 53 para R$ 58,50 (alta de 66,5% frente o fechamento de sexta), mantendo recomendação outperform, de forma a incorporar os resultados do quarto trimestre, alta de 10% nos preços dos aços planos em abril e as novas estimativas para a CSN Mineração.

“No geral, esperamos que a geração de fluxo de caixa livre aumente significativamente à frente e isso, juntamente com o fluxo de caixa do IPO de mineração, deve finalmente trazer a alavancagem a níveis mais sustentáveis, resolvendo problemas de estrutura de capital do passado. A conclusão da desalavancagem da CSN deve também abrir espaço para aumentar o pagamento de dividendos, transformando a empresa em uma historia de dividendos interessante”, aponta o Credit, que vê dividend yield (valor do dividendo em relação ao preço da ação) de dois dígitos entre 2022 e 2025 como algo alcançável.

Ao mesmo tempo, veem que a divisão de minério da CSN pode desempenhar de uma forma positiva, enquanto a divisão de aço também tem melhora significativamente. “Os mercados de aço no Brasil permanecem fortes (expectativa de um crescimento de 10% nos embarques domésticos em relação a 2020) e desse modo, a divisão de aço da CSN deve entregar um EBITDA de R$ 8,3 bilhões em 2021, com margens de ate 31% (versus 15% em 2020)”, avaliam.

A XP retomou a cobertura para as ações com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 55 por ação (upside de 56,5%), com a tese se baseando em uma perspectiva otimista acompanhando o potencial de alta do segmento de mineração, na qual a holding tem participação de 79%, além de um ambiente saudável para os preços do aço. A ação CSNA3 é preferida à Usiminas (USIM5) e Gerdau (GGBR4).

“Preferimos CSN a Usiminas e Gerdau no setor siderúrgico devido à maior exposição ao minério de ferro, uma vez que estamos mais otimistas com a commodity do que com o mercado de aço. Comparando as três empresas, a CSN é de longe a mais beneficiada pela recente alta nos preços do minério de ferro, já que seu segmento de mineração representou mais de 70% do EBITDA da empresa em 2020”, apontam os analistas da XP.

Pereira e Carmo apontam que, apesar da possibilidade correção nos preços do minério de ferro, veem a commodity ainda sendo negociada a níveis elevados historicamente, beneficiando o segmento de mineração da CSN. “A produção global de aço bruto continua registrando números fortes, impulsionada principalmente pela alta demanda na China, apesar das preocupações com as restrições à produção. Ainda assim, esperamos que uma maior produção de aço em 2021, possa continuar a impactar positivamente a demanda de aço”, avaliam.

A CSN também teve a recomendação retomada pelo BofA com compra, mas um preço-alvo mais modesto, de R$ 45,ou potencial de alta de 28%, com os analistas avaliando positivamente a desalavancagem da companhia. Os analistas do Morgan também possuem visão positiva para a CSN com preço-alvo de R$ 56, vendo potencial de alta de 59% destacando que, apesar do forte desempenho das ações nos últimos meses, ela ainda está descontada.

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