SÃO PAULO – Os grandes bancos brasileiros mostraram resiliência na última temporada de resultados, ainda que tenham registrado forte queda nos lucros e venham passando por um fluxo de notícias nada positivo para o setor (veja mais clicando aqui).

O Credit Suisse, por sinal, segue otimista com os bancos brasileiros, possuindo recomendação equivalente à compra (outperform, desempenho acima da média do mercado) para as quatro maiores instituições financeiras listadas na B3 –  Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC3;BBDC4), Itaú Unibanco (ITUB4) e Santander Brasil (SANB11).

Um motivo para reforçar a preferência pelos bancos brasileiros também em relação aos pares da América Latina é justamente a quantidade de provisões feitas durante a pandemia do novo coronavírus.

Com isso, a conclusão do relatório é de que os bancos brasileiros estão significativamente mais provisionados quando comparados ao restante da América Latina.

Vale ressaltar que, ainda que, juntos, BB, Bradesco, Itaú e Santander Brasil tenham lucrado R$ 13,4 bilhões, as provisões para perdas foram mais que o dobro dessa cifra, de cerca de R$ 30 bilhões no segundo trimestre. Veja abaixo a queda detalhada do lucro dos bancos:

Os analistas, ao realizarem as comparações, destacam que os bancos no Brasil possuem provisões excedentes equivalente a 16% da carteira de empréstimos reperfilada, com o Itaú e o Bradesco liderando  esse índice, com 21% e 20% de suas respectivas carteiras. Banco do Brasil possui um índice de 11,3%, enquanto o Santander Brasil tem um índice de 12,6%.

No México, por sua vez, essa relação é de apenas 3,2%, sendo 1,7% para o Santander México e 5,2% para a Banorte.

“Combinado com o impacto muito mais significativo da pandemia na economia mexicana, isso indica que o risco para ganhos derivado de um custo de risco mais alto é muito maior no México do que no Brasil”, avaliam os analistas Marcelo Telles, Otavio Tanganelli e Alonso Garcia, que assinam o relatório.

A proporção de provisões também é baixa entre os países andinos, com os bancos chilenos em apenas 1%, com Bancolombia (Colômbia) em 5,7% e BAP (Peru) em 6,9%.

“Essa análise vem reforçar nossa preferência pelos bancos brasileiros ao invés dos bancos do restante da região”, afirmam os analistas.

O estudo

Os analistas fizeram o estudo comparando o índice de cobertura de inadimplência de 90 dias na região com seus respectivos níveis de cobertura histórica de 5 anos. Em seguida, foi multiplicada a diferença entre o índice de cobertura histórico em 5 anos e o índice de cobertura atual por seu nível atual de inadimplência, chegando assim ao valor estimado das reservas para perdas com empréstimos adicionais de cada banco.

Em seguida, foi comparada a quantidade de empréstimos reperfilados, alvos de renegociações, feitos pelos bancos (empréstimos de varejo e pequenas e médias empresas). “Embora alertemos que os bancos possam ter critérios um pouco diferentes na contabilização de sua carteira reperfilada (alguns podem incluir empréstimos que foram vencidos no momento da renegociação, enquanto outros não) acreditamos que há mais semelhanças do que diferenças, o que nos leva a acreditar que este é um exercício muito válido”, avaliam.

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