A processadora da pagamentos Stone STNE.O, cujas ações são negociadas na Nasdaq, divulgou nesta quinta-feira lucro líquido ajustado de R$ 357,8 milhões para o quarto trimestre, alta de 30,1% sobre um ano antes.

A receita total da empresa subiu 27,9%, para R$ 1 bilhão enquanto o número de clientes ativos avançou 35,7%.

A companhia afirmou no balanço que espera superar a marca de 1 milhão de clientes ativos em 2021 e que a receita total tenha “aceleração significativa” em relação a 2020.

Enquanto isso, a Stone espera que a margem líquida ajustada seja similar ao nível de 2020, de 28,9%. No quarto trimestre, o indicador foi de 35,7%, recorde para a empresa.

Para o Credit Suisse, os resultados foram fracos, com a maior decepção sendo explicada principalmente por resultados mais fracos nas contas chaves, que tiveram uma queda de 10% na receita na comparação anual (ante alta de 28% no terceiro trimestre). Enquanto isso, o desempenho no segmento de pequenas e médias empresas permaneceu saudável, com receitas crescendo 94% na mesma base de comparação.

O crescimento do TPV (Total Payment Volume” ou Volume Total de Pagamentos), ex-voucher, desacelerou para 43% na comparação anual (48% no terceiro trimestre), 6% abaixo do consenso e do esperado pelo Credit, e a take rate (ganho obtido com cada transação, que soma as taxas cobradas e desconta as despesas) de 1,64% diminuiu 16 pontos-base na comparação anual.  Tanto o TPV quanto o take-rate foram prejudicados principalmente por contas-chave.

Os analistas comentam que, apesar do resultado, a perspectiva se mantém forte, e que não enxergam muito impacto da perda do quarto trimestre nas estimativas de longo prazo. A Stone mencionou que espera alcançar mais de 1 milhão de pequenos e médios negócios até o final de ano (crescimento de cerca de 50%) e que os take rates aumentem, tanto nos hubs quanto no Pagar.me, o que deve levar a uma aceleração significativa do crescimento da receita.

Por fim, citaram que, apesar dos planos de aumentar a força de vendas em 60%, as margens de lucro líquido devem ficar estáveis em cerca de 30%. “As mensagens transmitidas pelo management são positivas e sustentam a visão otimista sobre a empresa: mantemos nosso outperform”, destacam os analistas, que possuem preço-alvo de US$ 100 para o ativo negociado na Nasdaq.

O Bradesco BBI classificou os resultados da Stone como “decepcionantes”, mas que isso não importa tanto, também destacando que a gestão apresentou uma mensagem positiva para 2021.

O banco diz que o mercado deve continuar esperando que o lucro líquido atinja, em 2021, R$ 2 bilhões. O Bradesco espera R$ 1,9 bilhão, devido à expansão da base de clientes e portfolio de crédito. A deterioração do cenário macroeconômico e dos custos de financiamento não parecem incomodar investidores.

O BBI aponta que, com os desafios à frente, as ações da Stone parecem excessivamente valorizadas, e diz que o investimento na Stone parece cada vez menos atrativo, devido a maior potencial de outros atores além das empresas tradicionais de pagamento. Segundo o banco, sem uma plataforma on-line forte, a Stone pode ficar para trás na corrida digital. Por outro lado, não há nenhuma outra empresa no setor de pagamentos tão bem posicionada para comprar.
O Bradesco BBI mantém recomendação neutra e preço-alvo de US$ 57, frente aos US$ 76,41 negociados pela Stone na quinta (11) na Nasdaq.

Apesar dos sinais positivos, a sessão promete ser de queda para os ativos na Nasdaq: após o salto de 8,06%, fechando a US$ 76,41, na sessão da véspera, a ação STNE aponta para queda de 7,08%, a US$ 71. De acordo com dados compilados pela Refinitiv, de 16 casas que cobrem o papel, 11 têm recomendação de compra, 4 neutra e 1 de venda.

(Com informações de agências)

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