Mesmo com boas perspectivas para a produção e vendas de celulose, a Suzano se diz cautelosamente otimista. O presidente da companhia, Walter Schalka, diz que algumas incertezas em relação às novas ondas de covid-19 em outros países podem prejudicar os negócios no ano que vem.

Os investimentos para este ano, no entanto, estão mantidos. Ainda não há decisão sobre os valores em 2021. A expectativa para 2020 é que fiquem entre R$ 4,2 bilhões e R$ 4,3 bilhões. Se tudo correr bem, a companhia planeja uma expansão orgânica, com uma nova fábrica, mas ainda não há data para que isso ocorra, segundo Schalka. “Dada a nossa disciplina financeira, estamos sendo mais cautelosos na aprovação de novos investimentos”, disse ele, em teleconferência sobre os resultados da companhia.

A companhia só deverá voltar a fazer investimentos de crescimento quando a alavancagem estiver abaixo de 2,5 vezes a relação dívida líquida e a geração de caixa. Apesar da redução na comparação com o trimestre anterior, o resultado ainda está bem longe disso (5,1 vezes).

Há expectativa em relação aos negócios com a China. No terceiro trimestre, a rápida retomada das atividades econômicas no país favoreceu, de acordo com a empresa, o gradual aquecimento da demanda por papéis de imprimir e escrever, especialidades e, especialmente, por papéis sanitários. E os preços aumentaram US$ 20 em outubro, para US$ 470 a tonelada. “Os novos contratos já foram fechados com esse valor”, disse Schalka.

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De acordo com a Suzano, a demanda por papéis sanitários continuou demonstrando crescimento acima da média histórica em mercados como América do Norte e Europa. Papéis para embalagens continuaram tendo desempenho positivo, acompanhando os novos hábitos de consumo, como o e-commerce.

Impressões

Apesar de a Suzano ter tido prejuízo líquido de R$ 1,16 bilhão no terceiro trimestre, o resultado negativo foi 65% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado. A geração de caixa ficou em R$ 3,8 bilhões, bem acima das expectativas de analistas.

Para a Eleven Financial, o balanço da Suzano mostra duas realidades distintas da área operacional e da financeira. Nas operações, a melhora do resultado mesmo com volume estável mostra que a companhia está captando as sinergias de sua fusão com a Fibria. Nas finanças, novas perdas com derivativos mantêm a preocupação com a estrutura de capital.

Para o BTG Pactual, mesmo com um ciclo desfavorável no mercado de papel e celulose, a Suzano continua entregando resultados mais fortes do que o esperado, o que aumenta a confiança na melhoria da operação da empresa e torna “uma questão de tempo” a redução da dívida, hoje em R$ 16,4 bilhões.

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