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SÃO PAULO – Em painel do evento Brasil 2021, realizado nesta semana, os analistas Danniela Eiger (varejo), Gabriel Francisco (energia e petróleo), Yuri Pereira (minério, siderúrgicas e commodities) e Marcel Campos (setor financeiro), da XP Investimentos, destacaram quais ações são as preferidas deles nos mais variados segmentos da Bolsa brasileira, em meio à perspectiva de retomada econômica para o ano que vem após a forte queda da atividade por conta do coronavírus, mas ainda com cautela em meio ao cenário de incerteza sobre o ritmo dela e das reformas no Brasil (veja mais clicando aqui).

Setor que se destacou em 2020 em meio à pandemia, uma vez que as pessoas tiveram que ficar mais em casa, o varejo de e-commerce, na visão de Danniela, deve seguir com fortes resultados. “Nós acreditamos que a covid-19 mudou estruturalmente a digitalização do consumidor, acelerando tendências que levariam pelo menos 5 anos para acontecer”, avalia a analista.

No entanto, ela destaca não ver o cenário como sustentável em comparação a 2020, principalmente pelas fortes bases de comparação que os resultados de 2021 terão frente o de 2020 a partir do segundo trimestre, acreditando que alguns segmentos devem se sobressair a outros a partir do próximo ano.

Para a analista, depois de um 2020 desafiador por conta da pandemia e das restrições impostas ao varejo físico, o varejo tradicional deve se destacar em 2021 por i) demanda reprimida e do aumento em poupança; ii) maior alcance das marcas através de iniciativas multicanais; e iii) fácil base comparativa, afinal os resultados de 2020 foram fortemente impactados pela pandemia.

Danniela também ressalta que a equipe de análise tem visão construtiva para o setor farmacêutico brasileiro. Isso dadas as suas perspectivas de crescimento, oportunidades de consolidação e resiliência. Além disso, ela avalia que a crise da covid-19 fortaleceu o foco dos consumidores em saúde e bem-estar, ao mesmo tempo em que impulsionou o alcance do setor por meio da aceleração de tendências de digitalização. O cenário também é de retomada após a demanda ficar reprimida com o adiamento de cirurgias eletivas em 2020 por conta da pandemia, o que deve se normalizar durante 2021.

Com isso, destaca preferência por C&A (CEAB3) no segmento do varejo de moda e Pague Menos (PGMN3) entre as farmacêuticas. Em relatório recente sobre o setor de vestuário, além da C&A, Danniela e os analistas Marco Nardini e Thiago Suedt também destacaram entre as preferências o grupo de moda Soma (SOMA3), dono de marcas como FARM e Animale (veja mais aqui).

Para a C&A, a equipe ressalta as sólidas perspectivas de crescimento através da expansão de lojas e das recentes iniciativas digitais e multicanais. Além disso, a expectativa é de que a expansão de margem seja suportada pelas melhorias internas e operacionais, principalmente em supply chain.

“Finalmente, vemos riscos positivos para revisão de resultados com uma retomada mais rápida do consumo e melhores resultados decorrentes das iniciativas multicanais e digitais”. O preço-alvo para o fim de 2021 para o papel CEAB3 é de R$ 18 por ação.

Com relação ao grupo Soma, o preço-alvo para o fim do próximo ano é de R$ 17 por ação, representando um potencial de alta de 31%. “Vemos a empresa bem posicionada para consolidar o mercado de vestuário de luxo, pois acreditamos que ela conseguiu se situar como uma empresa aspiracional, com marcas menores se inspirando nela e, portanto, facilitando as negociações em eventuais transações de M&A [fusões e aquisições]. Além disso, acreditamos que sua plataforma digital seja uma vantagem competitiva importante, pois oferece uma solução integrada entre marcas e canais em termos de logística, além de uma ampla estrutura de análise de dados para aumentar a fidelidade, conversão e frequência dos consumidores”, avalia a equipe de análise.

Já sobre a Pague Menos, que estreou na B3 em 2 de setembro, a companhia é destacada como uma história interessante de reestruturação após um projeto anterior de expansão não tão bem sucedido, além de se beneficiar com a recuperação da demanda do setor.  “Esperamos um crescimento anual de receita em torno de 12% à medida em que a companhia se expanda para as regiões Norte e Nordeste, onde ela possui posição de liderança e conhecimento consolidado, o que reduz risco de execução’, afirma a equipe de análise. Além disso, a expectativa é de expansão de margem puxada por ganhos de eficiência, o que implica em um crescimento anual médio de aproximadamente 40% entre 2020 e 2025. Para Pague Menos, a recomendação é de compra com preço-alvo de R$ 13 por ação.

Petrobras preferida após ano difícil

Na ponta oposta, o setor de petróleo foi um dos mais impactados pela pandemia, com a commodity no mercado futuro chegando a bater preços negativos pela primeira vez no auge da crise, durante o mês de abril. Isso porque com o isolamento social e viagens proibidas, a demanda por combustíveis desabou nos últimos meses.

Com a expectativa de retomada da normalidade, a projeção é que se aumente também o consumo por combustíveis ao passo que aviões poderão voltar a voar com maior frequência e as pessoas voltem a utilizar carros e meios de transporte públicos para saírem de casa.

O analista Gabriel Francisco destaca, contudo, que embora haja otimismo em uma perspectiva de médio a longo prazo devido ao progresso dos estudos das vacinas, há riscos potenciais de volatilidade de curto prazo relacionados a uma segunda onda de casos de covid-19 e incertezas a respeito dos cortes de produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+). “No entanto, mesmo em caso de uma segunda onda e consequente retração das medidas de flexibilização, notamos que a situação do mercado de petróleo é completamente diferente de março de 2020 em termos de oferta e estoques, implicando em menores riscos de queda para os preços do petróleo”.

O analista espera que o barril de petróleo brent – referência internacional – recupere o patamar entre US$ 55 e US$ 60, preço de equilíbrio para a produção de xisto, que consider o produtor marginal da commodity dada maior flexibilidade e a natureza de custos das operações. Nesta quinta, o brent ultrapassou os US$ 50 o barril.

A preferência no setor é para a Petrobras (PETR3;PETR4) que, na avaliação do analista, está mais preparada do que nunca para enfrentar um ambiente desafiador de preços de petróleo. Isso se reflete nos custos de extração mais baixos, nos ativos altamente produtivos do pré-sal, nas medidas de resiliência e iniciativas de redução de custos e no andamento do plano de desinvestimento de ativos.

Já entre as empresas de energia, o analista vê oportunidade no setor de geração, sendo as top picks Omega Geração (OMGE3) e CESP (CESP6). “Ambas são nomes com um risco-retorno atrativo nos preços atuais e uma ampla gama de oportunidades futuras que contribuem ainda mais para as teses de investimento”, avalia.

Com relação à Omega, o analista destaca potenciais oportunidades de fusões e aquisições no futuro, visto que vê a companhia como um consolidador no segmento de energias renováveis.

Quanto aos nomes com exposição ao setor de distribuição de energia, a avaliação é de que a recuperação dos resultados (volumes maiores e menor inadimplência) está precificada nos preços atuais. “Por fim, não vemos grandes oportunidades de ganhos no setor de transmissão de energia após a alta recente, em grande parte impulsionada pela alta da inflação (IGP-M), especialmente em vista da escassez de oportunidades de crescimento com retornos atrativos baseados na maior competição observada nos últimos leilões de transmissão”, aponta.

Vale e Klabin: apostas promissoras em 2020 e 2021

Ao contrário da Petrobras que, mesmo após a alta recente, ainda registra perdas no ano, os papéis de Vale (VALE3) e Klabin (KLBN11) registram ganhos expressivos no período, de 65% e  30%, respectivamente. E seguem sendo boas oportunidades de investimentos para 2021, segundo aponta o analista Yuri Pereira.

“Acreditamos que as ações da Vale oferecem um retorno mínimo com dividendos de 7,5%, considerando uma média de US$100 a tonelada para o minério de ferro em 2021. Portanto, também por conta da baixa alavancagem, não descartamos potenciais dividendos extraordinários”, avalia.

Aliás, apesar da alta recente, em termos de valuation, a Vale é negociada a 3,7 vezes a relação entre o valor da empresa e o Ebitda, um número bem menor quando comparada às pares australianas de 5 vezes (em linha com a média histórica).

Já a Klabin, na visão do analista, deve se beneficiar dos maiores volumes em 2021, após a alta dos preços dos insumos em 2020 e em função de uma cadeia de suprimentos desequilibrada pelos impactos da pandemia.

Os principais riscos para esses setores, na avaliação do analista, estão relacionados a uma potencial desaceleração da demanda na China e no Brasil, como novas medidas restritivas contra a covid-19 e menores estímulos dos governos. Além disso, um dólar mais alto aumentaria a alavancagem das empresas, embora beneficie os resultados operacionais.

No que diz respeito especificamente à Vale, a falta de um acordo com as autoridades e gastos acima do esperado com Brumadinho podem impactar negativamente os preços das ações, aponta.

Banco do Brasil: mais defensivo em meio aos desafios do setor

Voltando ao setor que, apesar da recuperação recente, não conseguiu apagar ainda as perdas do ano, os bancos incumbentes devem ter um ano de retomada em 2021, considerando o desempenho aquém do setor na Bolsa em 2020, avalia Marcel Campos.

A recuperação é baseada em cinco fatores: i) o mix de crédito deve retomar a rotação com maior rentabilidade, voltado para pessoas físicas; ii) a margem financeira (NIM) deve ser pressionada, porém parcialmente compensada pelo mix de crédito, iii) os bancos estão bem capitalizados e as provisões estão reduzindo antes do esperado, tendo em vista que a crise ainda não impactou efetivamente os bancos em termos de inadimplência e baixas em função do período de carência e que as instituições estão bem provisionadas com índice de cobertura médio de 320%; iv) a retomada da atividade econômica deve impulsionar os volumes para receitas de varejo, devido às medidas de relaxamento para conter a pandemia e a fraca base comparativa de 2020 e v) os custos nominais devem diminuir conforme a aceleração da redução da operação física, com redução de despesas com pessoal impulsionada pelos planos de desligamento voluntário (PDV) de 2020.

Entre os riscos, estão os de i) índice de inadimplência, cujo pico deve ocorrer no primeiro semestre de 2021; i) o êxito do PIX, sistema de pagamentos e transferências instantâneas do Banco Central, que deve pressionar as receitas de serviços e o valor agregado dos pacotes e o iii) aumento na alíquota de imposto, embora esse risco diminua à medida em que a crise se afasta.

A escolha do analista dentro do setor fica para o Banco do Brasil (BBAS3). Na avaliação da equipe de análise, embora os bancos incumbentes tenham sido beneficiados pelo movimento de rotação para empresas da velha economia no quarto trimestre de 2020, devido ao entusiasmo quanto à vacina contra a covid-19, a distância do Banco do Brasil (BB) para os bancos privados se tornou ainda mais notável.

Adicionalmente, Campos destaca sua carteira mais defendida, com mais de 40% da carteira nos segmentos de agronegócio e consignado; possível beneficiamento de fatores não dependentes da economia, como redução de provisões operacionais e custo de captação mais barato via depósitos judiciais; e valuation descontado.

Confira abaixo o preço-alvo para os papéis citados na matéria na tabela abaixo e confira a recomendação da XP para outros setores clicando aqui. 

Empresa Ticker Preço-alvo Upside esperado*
Banco do Brasil BBAS3 R$ 43,00 +14%
Cesp CESP6 R$ 37 +32%
Omega OMGE3 R$ 50,00 +36%
Petrobras ON PETR3 R$ 32,00 +13%
Petrobras PN PETR4 R$ 32,00 +15%
Vale VALE3 R$ 86,00 +1,68%
Klabin KLBN11 R$ 32,00 +34%
C&A CEAB3 R$ 18,00 +35%
Soma SOMA3 R$ 17,00 +29%
Pague Menos PGMN3 R$ 13,00 +63%

*Tomando como base a cotação registrada durante a tarde desta quinta-feira, às 17h

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