Energia eólica

SÃO PAULO – As recomendações ganham destaque no noticiário corporativo, tanto para o início de cobertura de empresas “novatas” na Bolsa quanto para de companhias já tradicionais na B3.

Nesta terça-feira (26), destaque para o início de cobertura das ações da Aeris Energy (AERI3), que estreou na B3 em 11 de novembro, pela XP Investimentos, enquanto a Neogrid (NGRD3), que estreou em 17 de dezembro, também teve a cobertura iniciada com recomendação equivalente à compra (outperform) pelo Credit Suisse.

Por outro lado, o Bradesco BBI cortou a recomendação de Itaú Unibanco (ITUB4 ) e Santander Brasil (SANB11) para neutra, além de reduzir os preços-alvos das ações e também para Banco do Brasil (BBAS3), para quem já tinha recomendação neutra. Confira mais detalhes abaixo:

Aeris Energy (AERI3)

Os papéis da Aeris, uma das principais fabricantes independentes de pás para turbinas eólicas no mundo, já saltaram 122,70% desde a estreia na B3 em novembro, quando foram precificados a R$ 5,55, até o fechamento de sexta-feira (22), quando chegou a R$ 12,36.

Porém, para a XP Investimentos, a companhia tem ainda mais espaço para subir, com os analistas Lucas Laghi, Pedro Bruno e Marcella Ungaretti iniciando em relatório cobertura para os ativos com recomendação de compra e preço-alvo e de R$ 15 por ação para o final de 2021, ou potencial de alta de 21,36% frente o último fechamento.

“Acreditamos que a Aeris combina (i) fortes fundamentos setoriais, se beneficiando pela contínua evolução de participação da energia eólica, uma vez que o mundo caminha para fontes de energia limpas; (ii) sólido posicionamento da companhia, haja vista as altas barreiras de entrada impostas devido ao seu domínio no mercado eólico nacional, aliado com sua estrutura verticalizada e planta altamente tecnológica; e (iii) valuation atrativo em termos relativos – a 30 vezes o preço sobre o lucro em 2021, Aeris negocia em linha com empresas expostas ao segmento de energia renovável, o que, em nossa visão, não reflete o posicionamento mais forte da empresa tanto para crescimento quanto para retornos”, avaliam os analistas.

Eles destacam que, promovida por iniciativas que visam uma maior representatividade de energias mais limpas em meio à matriz energética global, a energia eólica tem potencial de ser um dos mais importantes impulsionadores de crescimento das fontes renováveis de energia no futuro.

“Nesse sentido, prevemos que a capacidade eólica global crescerá cerca de 6% ao ano, aumentando sua participação para cerca de 21% até 2050 – contra apenas cerca 7% atualmente. Além disso, a mudança contínua para a terceirização de pás eólicas por parte dos fabricantes também deve promover ganhos de participação de mercado para produtores independentes de pás”, apontam.

Assim, não veem apenas perspectivas positivas para a capacidade eólica globalmente, mas também no Brasil. Atualmente representando cerca de 9% da matriz energética brasileira, de acordo com o EPE, (Escritório de Pesquisa Energética) espera-se que a energia eólica duplique sua participação até 2029, chegando a cerca de 17%. Além disso, o fator de capacidade brasileiro superior à média global apresenta uma das taxas de retorno mais atrativas do mundo para geradores de energia eólica.

Os analistas ainda apontam que houve um salto das ações da Aeris desde o início de novembro de 2020, mas ela não está sozinha. Olhando em todo o setor, houve uma forte reação de preços de outras empresas expostas à energia eólica, como a TPI Composites, concorrente mais comparável da Aeris, que subiu 80% no mesmo período, e a Nordex, um dos seus clientes mais importantes, com suas ações valorizando 71% desde novembro.

“Vemos o resultado das eleições nos EUA como um importante gatilho para empresas do setor, dado o recente anúncio de Joe Biden de um plano climático de US$ 2 trilhões. Um elemento importante de seu plano incluirá traçar um caminho para a poluição zero de carbono do setor elétrico dos E.U.A. até 2035. Além disso, oficiais de campanha disseram que esperam atingir a meta encorajando a instalação de ‘milhões de novos painéis solares e dezenas de milhares de turbinas eólicas’. O plano também prevê investimentos em captura de carbono e tecnologia de baterias para gás natural”, ressaltam.

Os analistas apontam que a empresa possui duas unidades industriais localizadas em Pecém, na região Nordeste do Brasil, empregando mais de 5.000 funcionários, distribuídas em uma área total de aproximadamente 1.280.000 m² e uma área construída de mais de 90.000 m². Com relação à capacidade de produção, a Aeris é capaz de entregar mais de 4.000 pás por ano, o equivalente a mais de 4,5 GW em uma base anual – eles observam que, após a fase de expansão da empresa, a capacidade pode chegar a até 9,0 GW ao ano em 2021 em diante.

A maior parte de sua receita deriva da venda de pás eólicas (cerca de 97% do total esperado para 2020 – com cerca de dois terços esperados para entrega no mercado doméstico), com relacionamento de longo-prazo com os maiores fabricantes de turbinas eólicas do mundo. Além disso, em 2013 a empresa iniciou suas operações de serviços (os restantes cerca de 3% da receita), prestando serviços de inspeção e reparos de equipamentos para as fabricantes de turbinas, contando com equipes especializadas no Brasil, Estados Unidos, México e Argentina.

Eles ressaltam a importância estratégica de sua localização, uma vez que (i) ~50% da capacidade eólica brasileira está a um raio de cerca 500km de sua planta, com (ii) o Porto de Pecém a apenas 20km de suas instalações, o que ajuda a otimizar gargalos logísticos, tanto no recebimento de matéria-prima importada, quanto no embarque de mercadorias para exportação.

A expectativa é de que, no longo prazo, a empresa atinja entre 17% e 18% de participação de mercado no longo prazo, contra 7% em 2020, com receitas esperadas para crescer cerca de 25% ao ano considerando o horizonte de 2020 a 2025, impactando positivamente as margens operacionais da companhia, à medida que a empresa se beneficia de alavancagem operacional.

A Aeris deverá investir cerca de R$ 800 milhões em 2020 para viabilizar seu plano de crescimento – tanto por meio de (i) consumo de capital de giro (cerca 60%), principalmente devido ao aumento significativo no estoque, necessário para suprir os níveis de produção mais elevados; e (ii) alocação de investimentos (cerca de 40%), avançando em seus planos de expansão de capacidade. “Acreditamos que, uma vez que os requisitos de capital finais sejam alocados em até 2021, a Aeris deve apresentar melhorias significativas no ROIC nos próximos anos, com investimentos marginais menores caso necessite expandir sua capacidade futuramente”, apontam.

Neogrid (NGRD3)

O Credit Suisse iniciou a cobertura da Neogrid, empresa de software focada em serviços em nuvem, e líder em programas de gerenciamento de operações de cadeia de fornecedores no Brasil, com recomendação outperform (desempenho acima da média) e preço-alvo de R$ 14, o que corresponde a um potencial de valorização de 20,79% em relação ao fechamento de R$ 11,59 de sexta-feira (22).

O banco destaca que o valor das ações da empresa aumentou 157% desde sua oferta pública inicial de ações, há 40 dias. E avalia que as ações estão negociando a um prêmio maior do que as de Totvs e Sinqia, mas ainda assim abaixo daquela de Locaweb.

Os analistas afirmam que a companhia parece estar preparada para crescer em seu negócio de software e explorar necessidades adicionais, assim como o mercado B2B, avaliando ainda acreditar que a Neogrid buscará novos negócios ainda neste ano.

O Credit destaca que a Neogrid tem relevância em outros países, que respondem por 18% de seus negócios. Com suas soluções de software, a empresa conecta mais de 40 mil negócios, incluindo grandes varejistas e distribuidores, além de milhares de outras pequenas empresas.

O negócio principal da Neogrid usa big data, data analytics e inteligência artificial e entrega soluções que realmente tem valor agregado para as empresas, afirma o Credit, apontando que uma das provas deste ponto pode ser considerada a capacidade de uma empresa brasileira de exportar tecnologia para Europa e EUA.

“A Neogrid tem potencial para aumentar a receita em outras frentes como produtos financeiros e habilitar marketplace B2B”, destaca a equipe de análise avaliando que, a empresa passou  anos ajustando a casa, investindo em tecnologia e pessoas e agora parece bastante preparada para crescer e entregar resultados.

O banco estima que a receita orgânica com software vai crescer 10% em 2020, 17% em 2021 e 18% em 2022. Fusões e aquisições com os R$ 319 milhões levantados na oferta pública inicial de ações também devem impulsionar o preço-alvo da empresa. As receitas devem ser impulsionadas em cerca de R$ 100 milhões nos próximos anos, devido a fusões e aquisições. Na avaliação do banco, os investimentos da Neogrid em pessoas e tecnologia têm dados resultados. A margem Ebitda cresceu de 11% em 2017 para 24% no terceiro trimestre de 2020. O banco diz esperar uma alta a 27% em 2021.

Bancos: BBI rebaixa recomendações para Santander Brasil e Itaú Unibanco 

Por outro lado, em relatório, o Bradesco BBI destacou não ter uma visão mais tão positiva para os grandes bancos brasileiros.

Victor Schabbel e Sofia Viotti, analistas do banco, cortaram de outperform para neutra a recomendação de papéis de Itaú Unibanco e Santander Brasil, assim como os preços-alvos foram reduzidos de R$ 37 para R$ 33 e de R$ 52 para R$ 44, respectivamente. Para o Banco do Brasil, cuja recomendação ‘neutra’, teve preço-alvo reduzido de R$ 47 para R$ 44.

Os analistas voltaram a ter uma recomendação mais cautelosa para o setor por três motivos: o recente rali do preço das ações, o espaço limitado para revisões adicionais de lucros pelo mercado e valuations em níveis razoáveis.

O Bradesco BBI espera que o Itaú tenha lucro líquido de cerca de R$ 25,7 bilhões em 2021, 7% abaixo de sua última estimativa. O Santander deve ter ganhos de R$ 14,7 bilhões, diz o Bradesco, 5% abaixo de sua última previsão. E o Banco do Brasil deve ter lucro líquido de R$ 17,2 bilhões.

Com relação ao Itaú, os analistas veem o preço refletindo melhor lucratividade e modesto crescimento à frente. Em relação ao Santander, avaliam que a execução de primeira linha já está embutida no preço. Já sobre o Banco do Brasil, há um potencial atrativo, com upside de 31% dos ativos em relação ao último fechamento: contudo, incertezas e riscos de execução continuam pesando nos papéis do banco, único de controle estatal entre os três.

“No espaço financeiro, empresas de mercado de capital, como B3, por exemplo, são nossas escolhas preferidas. Entre os bancos, nós classificamos nossa preferência na seguinte ordem: Banco do Brasil, Itaú e Santander Brasil.”

No último trimestre de 2020, as preferenciais do Itaú subiram 41%, as ações ON do BB avançaram 32% e as units do Santander Brasil valorizaram-se 62%. Neste ano, esses papéis acumulavam perdas de 7%, 13% e 9%, respectivamente.

Na sexta-feira, o Itaú fechou a R$ 29,27, BB a R$ 33,69 e Santander Brasil a R$ 40,60. Bradesco PN, que não entrou na revisão divulgada por Schabbel e Viotti, fechou o último pregão a R$ 25,01, acumulando em janeiro declínio de quase 8%, após ter apresentando alta de 42% nos últimos três meses de 2020.

(com informações da Reuters)

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